Introdução

 

A estrutura da população da população do distrito de Bragança caracteriza-se pelo seu envelhecimento progressivo como consequência da diminuição da natalidade e do aumento da esperança de vida. Como um todo, 34,43% dos habitantes do distrito têm mais de 65 anos contra 23,43% da população nacional. Verifica-se, assim, um processo de envelhecimento acelerado nesta Comunidade na qual, os índices de envelhecimento variam desde os 260,47% no concelho de Bragança a 692,77% no concelho de Vinhais. Este concelho representa, aliás, o mais envelhecido. Seguem-se-lhe os concelhos de Vimioso (614,52%) e de Torre de Moncorvo (513,30%). O índice de envelhecimento no distrito corresponde a 369,3% representando mais do dobro do mesmo índice no país (182,1%). Por sexo, há uma clara predominância do percentual de mulheres sobre o de homens, de modo que mais de 55,41% da população com 65 e mais anos são mulheres. (Fonte: cálculos efetuados a partir dos dados provisórios dos Censos de 2021)

 

A população residente da área de abrangência da ULS da Guarda cifrava-se em 2020 em 138 528, o que representa 6,3% da população da região centro. Apresenta valores percentuais no grupo etário dos jovens significativamente mais baixos (9,6%), comparativamente à região centro (12,0%) e ao Continente (13,5%), contrariamente ao grupo etário dos idosos que apresenta valores percentuais mais elevados (29,7%) que a região centro (24,5%) e que o Continente (22,5%). Estamos perante um território predominantemente rural e, como é tendência natural do território, com um índice de envelhecimento muito elevado, em particular nos concelhos de Almeida (617,4%), Sabugal (489,3%) e Mêda (421,9%). Apresenta um índice de dependência total de 67,57%.

 

Segundo os resultados preliminares dos Censos de 2021, o distrito da Guarda, com 14 municípios, contabiliza 143.019 residentes, evidenciando assim que, nos últimos dez anos, perdeu 17.920 pessoas, o que representa menos 11,1% relativamente aos Censos de 2011 que registaram um total de 160.939 habitantes. Todos os concelhos do distrito perderam habitantes, com destaque para o Município de Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo, localizados junto da fronteira com Espanha, que perderam o maior percentual (-18,8% e -17,7%, respetivamente). O concelho da capital de distrito, Guarda, foi o segundo que teve a menor taxa de perda populacional (-5,6%).

 

A consequência desta situação traduz-se no aumento da dependência global, sobretudo da dependência associada ao processo de envelhecimento e, por conseguinte, um aumento da necessidade de prestar cuidados a estas pessoas cuja autonomia/independência está diminuída.

 

 

Na nossa cultura a família constitui a principal fonte de ajuda para as pessoas dependentes e, historicamente, o papel social de cuidador correspondeu às mulheres. As pessoas dependentes no nosso meio são geralmente pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas com alguma doença crónica incapacitante ou doentes terminais. O período de tempo dedicado ao cuidado dessas pessoas pode variar de alguns meses a anos.

 

 

A incorporação da mulher ao mundo do trabalho altera o modelo de família, no entanto, no cuidado a pessoas dependentes, a mulher continua a assumir esse papel, sujeitando-se a uma sobrecarga de trabalho. Porque, as mudanças sociais se tornam mais evidentes, existem pessoas externas à família que se dedicam ao cuidado de pessoas dependentes partilhando essa função com a família e, por vezes com apoio da Segurança Social.

 

 

A todos é dirigido este guia que tem como principal objetivo ajudar os cuidadores, bem como as pessoas que deles dependem, a alcançar a melhor qualidade de vida possível.